quinta-feira, abril 02, 2009

COMO CRIANÇA

Cercados por leões ferozes, assaltados pelo medo, encurralados em vales profundos, é o sentimento metafórico, porém interiormente muito real no coração de homens e mulheres contemporâneos no século XXI. Que segurança temos na vida? Qual nossa garantia no amanhã? O que nos espera depois da curva? São perguntas sem respostas, vivemos nossos dias com um enorme esforço para conseguir chegar ao fim deles vivos. Termos uma cama para poder dormir mesmo que pouco, fugir dos medos e preocupações que nos cercam a todo tempo, consomem nosso entusiasmo, minam nosso ânimo e nos fazem produto do meio, seres estressados, impacientes, pesados, intensamente solitários no meio da multidão.

Dizem que o mal de nosso tempo é a depressão. Em alguma intensidade qualquer adulto tem, também não é para menos, os dias são maus. A fé tem sido banalizada em nosso tempo, muito tem se falado sobre conquistar, transpor, alcançar o inimaginado pela realidade própria de cada um, e o que temos visto são muitos vasos vazios engrossando as fileiras dos denominados cristãos.

A verdadeira fé vai muito além do alcançar o inusitado aos olhos humanos, possuir os objetos do desejo humano que surfa livre, leve, solto em nossa alma carente. A verdadeira fé é tornar-se um com Cristo e poucos são os que têm alcançado isso em nosso tempo.

Certa vez Jesus disse: “aquele que não se converter e não se tornar como criança de maneira alguma herdará o reino dos céus” (Mateus 18.1-5). A sabedoria completa está em Cristo, quando ele fala para nos tornarmos crianças ele não está nos orientando a deixar nossas responsabilidades. Ele está dizendo que vê na criança o melhor do ser humano; que ela tem muitas características que não deveríamos perder, mas que perdemos com o tempo. Em boa parte do capítulo 18, Jesus está nos advertindo para que não deixemos que as crianças percam tais características, pois esta perda vai afastá-las do Pai. Primeiro, a criança tem um deslumbramento em relação a criação, a Deus, a certeza de que o universo é muito mais do que aquilo que os nossos olhos poder perceber. Segundo, Jesus sugere que as crianças têm uma interação com o mundo espiritual, que como adultos, não percebemos mais. Perdemos essa sensibilidade para com Deus. Terceiro, a criança tem a consciência de necessidade do outro, aquela sensação de que a solidão não é boa. Em qualquer situação de abandono ela chora, pois sabe que não pode ficar sozinha, que ninguém nasceu para ficar sozinho. As peculiaridades do coração de criança são encantadoras e são essas peculiaridades que fazem da criança um ser puro. Que sente medo, mas não duvida de seu protetor, é dependente não por muito falar, mas por ter certeza de que seu provedor na hora certa sem falhar vai trazer a provisão que ela necessita, seja alimento, veste, moradia, aconchego e tudo mais o que ela possa precisar.

Nós crescemos e esquecemos que Deus é esse pai como qualquer pai normal, ama seu filho com seu melhor e vai fazer tudo o que puder para a felicidade dele. Porém Deus pode todas as coisas, e nenhum bem negará aqueles que o amam e confiam nele completamente. Nosso grande problema é “confiar”, gostamos de nossa independência e queremos a atuação de Deus apenas para o que não conseguimos fazer sozinhos, no fundo no fundo até preferíamos não depender de milagres.

Por sermos “adultos” é que fizemos de nossa sociedade uma bomba relógio prestes a explodir, e nos sentimos amedrontados e cercados por feras ferozes todo tempo. Mas existe salvação para aqueles que quiserem se tornar como criança. Serão amparados pelo Rei dos reis, de fato salvos pelo Salvador Jesus Cristo, serão os cidadãos que vão habitar os Céu dos céus, conhecerão a Jerusalém celestial.

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Seja como criança.
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Soli Deo Gloria, Romney Cruz, pr.

4 comentários:

Alessandra disse...

Um dia desses eu estava comentando com o Nando da primeira vez que eu senti a presença forte de Deus. Eu era criança e estava passando mal, não parava de vomitar e estava sem força, pensei que ia morrer, minha mãe ja estava arrumando para me levar ao médico, quando orei com toda a minha fé e pedi para que Deus me ajudasse, e na mesma hora eu melhorei, não vomitei mais e minha mãe desistiu de me levar ao médico. Parece uma coisa boba, mas como uma criança eu achei que uma simples infecção fosse o fim do mundo, e orei com toda a minha fé, com um coração puro e verdadeiro, e é isso q a gente se esquece no dia-a-dia. Esquecemos de depositar toda a nossa fé em Deus, e muitas vezes paassamos a achar que nossos problemas são muito maiores do que a capacidade de Deus em nos dá força e poder. Então, vamos ser como criança e viver com fé em Deus sempre.
Obrigada pela mensagem Romney! Isso nos faz refletir nossos comportamentos do dia-a-dia e buscar a ser um exemplo.

Beijos, lelê

Pr. Romney Cruz disse...

Ual Lelê que experìência propicia para essa meditação, se aprendermos a simplicidade da fé não haverá limites ou barreiras para nossas conquistas em Deus.
Que o Senhor te abençõe cada dia mais e mais.

Érika Renata disse...

Essa tal de pós modernidade, faz com que nós sejamos tão imediatistas e sem paciência, que não conseguimos entender as coisas como uma criança, que quando escuta um não, fica triste na hora mas passa e sabe, confia que depois terá o que pediu. Nós não.... quando o não vem, estufamos o peito e damos um jeitinho de fazer a coisa acontecer e ai a confiança em Deus muda para confiança em nós... Mas o melhor é que Deus sendo Pai tem paciência e nos ensina a ser como crianças!

Anônimo disse...

Eu não tive experiências com Jesus enquanto criança, infelizmente, como a Alessandra, mas hoje trabalhando com elas é a coisa mais encantadora do mundo ver como realmente creem em Deus e se entregam mesmo ao seu cuidado. Mas também me entristeço ao ver muitas delas perderem suas características naturais como foi dito no texto. Temos que orar muito por nossas crianças, porque o diaba está destruindo essas pequenas vidas através dos "adultos".
Parabéns pastor Romney por deixar Deus falar com você!
Luciana